Apenas um palco

Acabo de assistir a gravação de uma palestra, sobre o amor que devemos ter para com os animais, palestra ministrada pelo professor Laércio Fonseca, uma pessoa que muito admiro e acho um exímio exemplo de sapiência, claro na orbe e ordem em que estamos, pois todos estamos, em se falando de ordem cósmica, em um patamar muito inferior e temos um longo caminho a percorrer. Dentre outras coisas, algo que Laércio fala e que me chamou muito a atenção foi o fato de que hoje a sociedade, consequentemente, nós como indivíduos, vivemos em uma constante rotina doentia devido a forma, que ao decorrer dos séculos deturpamos, dos nossos valores, valores estes que hoje vão contra muitas leis naturais que nos ajudariam em nossa evolução, e, consequentemente em algum momento da nossa existência, como espíritos, em nossa ascensão. Ou que seja, nós, por nós mesmos (pois tudo, sem exceção, que ocorre em nossas vidas tem como causa única nossas ações passadas) estamos caminhando vagarosamente, a providência na sua perfeição, e suas leis tão precisas, nos dá o privilégio de não regredirmos em nossa evolução pessoal, senão com certeza alguns seres humanos estariam, por causa de suas ações, literalmente 'correndo de costas', tamanha ignorância refletida em suas ações.


Nossas vidas diárias se limitam em conseguir suprimentos superficiais, para podermos 'sobreviver' neste mundo ilusório que construímos e manter a nossa 'casca de ovo'. Todos os dias acordamos dentro de nossas gaiolas entre quatro paredes, tomamos banho, café, nos vestimos, pegamos aquele ônibus lotado, batemos nosso cartão de ponto e sentamos em nossas mesas, frente aos nossos PC's, claro, a esta altura já completamente irritados e cansados, pensando na hora de deixarmos aquele ambiente e voltarmos para nossas casas. É obvio que pensando desta forma nossa vida se resume a algo estúpido e sem propósito algum, e o é. Chegamos no final das nossas vidas, temos a tão sonhada aposentadoria, e sentamos, jogamos um 'dominózinho' esperando a morte chegar. Esquecemos o que realmente necessitamos, o que realmente estamos buscando nesta experiência corpórea, motivo pelo qual todos, sem exceção, em algum momento, quando não por toda sua vida adulta, se torna infeliz, depressivo, angustiado. Estamos completamente longe de fazermos o que deveríamos (e pagamos por isso), olharmos para dentro de nós, corrigir nossos erros, evoluir. Poucos dedicam algum tempo para meditar, olhar para dentro, identificar e sanar seus defeitos (na maior parte do tempo fazemos o contrário, conseguimos identificar uma quantidade enorme de defeitos em cada pessoa que olhamos por alguns segundos). Nunca dedicamos algum tempo para vislumbrar a natureza, as florestas, os animais, os insetos, o céu, refletir sobre o papel que temos neste enorme universo. Temos que enxergar e entender o nosso lugar nisso tudo, somos apenas indivíduos em um universo formado por 200 bilhões de galáxias, e cada uma delas com centenas de bilhões de estrelas, entendermos nossa insignificância perante isto tudo. Precisamos nos voltar para nós mesmos, o conhecimento reside latente dentro de nós, temos que buscá-lo. O ser humano é por natureza egocêntrico, eu, hoje, acredito que este é o maior problema da humanidade, o egocentrismo. Vejo o tempo todo pessoas envenenadas por ele, se gabando pelo tão pouco que tem, eu mesmo procuro me policiar a todo momento pensando nisso, medindo minhas atitudes, e muitas vezes deparo com momentos em que falhei. Enraizamos isso dentro de nós, a sociedade nos impõe isso, é vital para a este conceito de sociedade em que vivemos, para que este caos continue, para que alimentemos nossa ignorância, nos obrigam a manter vivo este egocentrismo, em paralelo com um consumismo sem propósito e desenfreado.
Faz parte de nossa evolução identificá-lo e corrigi-lo. Mas hoje, fazemos o contrário, o alimentado, com adoração aos bens materiais (não nos importando com as consequências, vivemos nos sistema capitalista que tem como base exatamente isso, em sua essência é isso o capitalismo tira de muitos para dar a poucos), as religiões para satisfazer, superficialmente, nossos medos e incertezas (o homem acredita que Deus nos criou a sua imagem e semelhança, quando na verdade é o contrário, nós criamos este Deus a nossa imagem e semelhança, quem somos nós para podermos entender o conceito de Deus, estamos absurdamente longe de termos a capacidade de raciocínio para esbarrarmos na veracidade quanto a isso). Vivemos um conceito falho de relacionamento, baseado em posse, ainda não somos capazes de entender o que é amor, vivemos paixões, paixões temporárias, e paixão é uma doença, causa dor, vemos a outra pessoa com um bem material, nos colocamos como proprietário desta pessoa (necessitamos de uma aliança, um contrato para nos sentirmos seguros quanto a isso, como se adiantasse, e mostrarmos a todos o que temos, nosso troféu), as pessoas não conseguem viver sem isso, como se faltasse algo, como se a nossa felicidade pessoal dependesse do outro. É óbvio que isso causa diversos conflitos, que muitas vezes trás consequências ruins para ambos, e mesmo assim vemos isso como meta de vida, acreditamos que enquanto não nos casarmos ou tivermos nossa 'metade da laranja' não seremos felizes (isso é a forma de, inconscientemente, maquiarmos nossas falhas, medos e inseguranças, quanto a nós mesmos), quando na verdade, na maioria das vezes, ai começam os problemas.
O ser humano tem que entender que este corpo, esta matéria, foi nos 'emprestada', por um curtíssimo espaço de tempo, para podermos vivenciar certas experiências, e com elas aprender e nos corrigirmos, aprender que o externo não é o foco correto, a nossa meta está dentro de nós mesmos. Não conseguimos nem ao menos nos amarmos como somos, olhamos no espelho e ficamos descontentes com o que vemos, buscamos cirurgias plásticas, academias, produtos, roupas, bens, tudo não para a satisfação pessoal, o que já não seria algo muito louvável, mas pior, fazemos isto para a aprovação do outro, da sociedade, para nos encaixarmos nos distorcidos e errôneos padrões que a sociedade nos impõe. Como podemos alcançar níveis maiores de consciência, transcender este padrão de energia negativa se damos tanta importância ao diletantismo fútil. Quando na verdade deveríamos enxergar que a Terra é apenas um projeto e um palco para atuarmos por um breve espaço de tempo e tirar o máximo proveito desta experiência.

Glauco AC
04.11.2012

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