Inércia

         Por estes dias comentei o fato de estarmos em pleno século XXI, e ainda existirem pessoas céticas, apesar de todas as provas palpáveis, quanto à espiritualidade, pessoas que ainda acreditam que a vida se resume a esta ínfima passagem terrena. Pessoas que não estão dispostas a aprenderem, a mudarem seus conceitos, a se lapidarem, a evoluírem. E exatamente neste ponto onde se vê necessária uma depuração global, por este tipo de conduta estagnar a evolução de outros, por impedir certas ações as quais alavancariam novas ideias e novas ações a favor da transformação para um nível acima. Pessoas que se fecham, que se contentam com a falta de ideias quanto à continuidade do ser perante a morte física, se acomodam em apenas existirem. Como se a vida se resumisse a isso, como se nosso verdadeiro ser fosse este corpo falho e perecível, como se a vida se resumisse apenas a isso, se nossa intuição fosse mero acaso, e não algo acumulado em nosso âmago, algo trazido de vivências anteriores, e o conhecimento, experiências e lembranças se perderiam no nada. Outras ainda duvidam da futura maturidade da ciência, julgando certos acontecimentos como resultados de forças inexplicáveis, milagrosas, ou que, nem em um futuro distante, poderão ser cabíveis de exatidão quando explicadas e demonstradas pela física, química ou outras ciências, algumas talvez que ainda nem conhecemos. Como se a história não as ensinasse que este é o princípio, que nosso conhecimento é mutável, falho, e passível de adaptação e aperfeiçoamento. Espanta-me não duvidarem de si mesmas, e sim do Universo, como se tivessem capacidade, hoje, de explicar uma minúscula parte dele, pois mal nos compreendemos, mal nos conhecemos, quem dera entender uma pequena parte deste vasto 'tudo'.
         Mas isto também é necessário e tem um grande propósito. É fato que por vezes me sinto incomodado com isto, com pessoas que não buscam sanar suas dúvidas e se acomodam perante as interrogações, que preferem deixar de lado, esquecer, ao ir buscar respostas plausíveis e convincentes. Mas querer impor as idéias que acreditamos, ou por vezes até mesmo temos certeza, se torna uma vazão desnecessária e enorme dispersão de energia, sem obter benefício algum, muito pelo contrário, para ambas as partes. Muitas vezes manter a inércia, mesmo que extremamente difícil o seja, traz os melhores resultados. Cada um tem seu tempo, suas necessidades e dúvidas, cabe apenas a elas procurarem por respostas. Em alguns grupos de pessoas, já despertas e conscientes do que acontece hoje no nosso planeta, ainda se nota a enorme divergência de idéias, divergência esta que por vezes chega a criar antipatia entre um e outro, mesmo estes sabendo do que se trata o momento, da necessidade de se trabalhar a união, de todos termos a mesma linha de pensamento, e somarmos nosso desejo, nossa força. Porém isto é parte do processo, mesmo que no início torne este processo vulnerável, assim como uma árvore para atingir a fase adulta, necessita antes ser muda, delicada e frágil. Pois meio a isto se criam discussões, que geram respostas adversas, e opostas a isso também se alicerça relações com pessoas que tem ideias semelhantes, gerando fortes laços e germinando novas e poderosas ideias, novos caminhos, novas atitudes, e consequentemente, novos resultados. 
Glauco AC
21.10.11

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