O único caminho

SE podes conservar o teu bom senso e a calma,
Num mundo a delirar, para quem o louco és tu.
SE podes crer em ti, com toda a força d´alma,
Quando ninguém te crê; se vais faminto e nú,
Trilhando sem revolta em rumo solitário;
SE a tôrva intolerância, à negra incompreensão
Tu podes responder subindo ao Calvário.
Com lágrimas de amor e bençãos de perdão.

(trecho do poema SE, de Rudyard Kipling, extraído do livro de instruções
do 'Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento', publicado em 1957)

Sinto como se tudo na minha vida estivesse caminhando de forma exponencial, tudo acontece muito rápido, e à medida que aceito minha intuição e começo a acreditar em coisas que muitos, e até eu mesmo, há algum tempo atrás, veria como cenas de filmes de ficção científica, a mudança na minha vida acelera a sua velocidade. Junto a isso sinto meu crescimento e o esclarecimento dos 'porquês' vindo a mim a todo momento, também de forma intuitiva (talvez eles sempre estivessem ali, eu apenas não os notava, ou não queria acreditar neles), consequentemente, sinto felicidade e enxergo o lado bom em tudo na minha vida. As coisas ruins começam a deixar de existir, não que os problemas em minha vida estejam diminuindo, muito pelo contrário, suas proporções e quantidades aumentam de forma que em certos momentos me assustam, mas o ângulo que os vejo faz com que suas aparências não sejam tão assustadoras, os tornam até simpáticos, levando em conta o que ganho com eles.
Mas é fato, que com esta ascendência, a minha forma de pensar perante a maioria das pessoas, ainda, se distancie cada vez mais, considerando que ao mesmo momento em que nosso raciocínio e discernimento dão um salto considerável, os nossos sentimentos também, inevitavelmente. Tornamos-nos absurdamente mais sensíveis, mais aptos a notar o interior das pessoas, suas reais intenções. E claro, estando onde estamos, com quem estamos, nos decepcionamos demais, nos ferimos, com isso, naturalmente, as evitamos. Muitas das pessoas com quem convivíamos com frequência não nos dizem mais respeito, não elas propriamente, mas seu modo de vida e a forma como enxergam e lidam com os acontecimentos do dia-a-dia. Torna-se algo que nos incomoda, mas é algo sutil, ao menos no início, por vezes se não pararmos para pensar e meditar sobre este sentimento, mal podemos identificá-lo. Como todo índigo irradia certo magnetismo e uma sutil sensualidade, sempre atraímos outras pessoas, e nos acostumamos a isso, desde nossa infância, gerando uma autoconfiança distorcida. Mas neste momento vejo a superficialidade disso, digo da atração que estas pessoas sentem por nós, pois elas não sabem do que se trata, e vejo brotar um sentimento nunca experimentado de repugnância ao ser humano que me confunde. Com isso vem uma necessidade impulsiva de confinamento, de distanciamento defensivo, e certa mágoa, bem diferente da necessidade de isolamento, já experimentada por mim na adolescência, pois sendo índigo, qualquer um de nós experimenta, em algum momento desta existência, a necessidade ao isolamento e introspecção, é natural e necessário. Não que tenha me livrado de sentimentos pequenos como raiva, inveja, e tantos outros, sei que estou longe disso. Mas sei que estou no caminho, pois é exatamente este tipo de sentimento que repugno nas pessoas. Mas não repugno as pessoas, pois não consigo emanar nenhum sentimento ruim a elas por isso, muito pelo contrário, tenho vontade de ajudá-las, esclarecê-las, mas ainda me acho vulnerável, sem saber como me defender destes sentimentos, ainda me sinto influenciável, eles começam a me fazer mal, transparece até em meu físico, tamanho incomodo que causam.
"Por maiores que sejam vosso conhecimento, vossa fé e vossa prática dessa lei, sereis, indubitavelmente, afetado, em maior ou menor grau, pelos baixos e grosseiros elementos mentais a que aludimos e que estão em contínua atividade ao redor de nós. Se fazeis vida comum, coisa, alias muito frequente, com pessoas que sempre pensam erradamente ou emitem sempre maus pensamentos, pouco importa a quem sejam dirigidos, forçosamente sereis danificado por elas, em maior ou menor extensão. Os pensamentos dessas pessoas são como a fumaça que vos cega os olhos."
Este também foi um trecho extraído do mesmo livro que o poema no início deste texto, livro este que acabou por vir as minhas mãos de forma quase mágica, e essas poucas palavras não só explicam a necessidade de mudança dentro de nós, bem como o porquê da mudança que deve ocorrer no planeta, nas próximas décadas.
É neste momento que sinto uma vontade enorme, que mal cabe dentro de mim, de estar entre outros como eu, índigos despertos e cristais, falar a mesma lingua, poder baixar a guarda, que sinto estar criando incondicionalmente a uma série de coisas e atitudes alheias, sentir reciprocidade no que sinto pelos outros, sentir amor incondicional, sentir sinceridade pura. Como se isso já me servisse de alimento. Partilhar e satisfazer esta avidez por conhecimento que sinto maior a cada dia dentro de mim, não por me achar melhor, ao contrário, por notar que nada sei, por conseguir determinar o tamanho da minha ignorância perante o Universo, seus mistérios e suas leis, que a jornada está em seu início e que ainda mal me conheço, mas tenho uma necessidade absurda e extrema de fazê-lo, pois minha alma grita, dizendo que este é o único caminho.

Glauco AC
10.05.2011

2 comentários:

  1. Disse tudo. Em tudo que sou, tudo que sinto e represento. Um abraço, meu caro!

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  2. como sempre, excelente texto, fala exatamente o que muita gente sente, e não exterioriza.

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